Concurso Biomédico

Questões de Figuras de linguagem (Língua Portuguesa) para concurso de Biomédico

37 questões de concursos de Biomédico sobre Figuras de linguagem, de 35 provas, com gabarito oficial. Veja uma amostra e resolva todas no app.

Questão 1 · Instituto Access · 2025 · Prefeitura Municipal de Apiaí (SP)

Leia as afirmativas a seguir, analisando o emprego de figuras de linguagem.
I. "Que ótimo, derrubei café na minha apresentação inteira minutos antes de começar!" → Ironia.
II. "Após muitos anos de dedicação, ele nos deixou no último outono." → Eufemismo.
III. "Naquela sala, havia risos e lágrimas, esperança e medo, tudo ao mesmo tempo." → Hipérbole.
IV. "Esperei uma eternidade naquela fila do banco." → Antítese.
Assinale a alternativa onde a figura de linguagem indicada está presente na afirmativa correlacionada:

  1. A) III e IV.
  2. B) I e II.
  3. C) II e III.
  4. D) I e IV.
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Gabarito oficial: B

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Questão 2 · EDUCA · 2025 · Prefeitura Municipal de Brejo do Cruz (PB)

Navegar é preciso Fernando Pessoa Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: “Navegar é preciso; viver não é preciso”. Quero para mim o espírito [d]esta frase, transformada a forma para a casar como eu sou: Viver não é necessário; o que é necessário é criar. Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo. Só quero torná-la de toda a humanidade; ainda que para isso tenha de a perder como minha. Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade. É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça. PESSOA, Fernando. Obra poética. Organização de Maria Aliete Galhoz. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2004.

A expressão “minha alma a lenha desse fogo” representa:

  1. A) Hipérbole.
  2. B) Antítese.
  3. C) Metáfora.
  4. D) Eufemismo.
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Gabarito oficial: C

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Questão 3 · Avança SP · 2025 · Prefeitura Municipal da Estância Climática de Caconde/SP

A eterna imprecisão da linguagem — Que pão! Doce? de mel? de açúcar? de ló? de ló de mico? de trigo? de milho? de mistura? de rapa? de saruga? de soborralho? do céu? dos anjos? brasileiro? francês? italiano? alemão? do chile? de forma? de bugio? de porco? de galinha? de pássaros? de minuto? ázimo? bento? branco? dormido? duro? sabido? saloio? seco? segundo? nosso de cada dia? ganho com o suor do rosto? que o diabo amassou? — Uma uva! Branca? preta? tinta? moscatel? isabel? maçã? japonesa? ursina? brava? bastarda? rara? de galo? de cão? de cão menor? do monte? da serra? do mato? de mato grosso? de facho? de gentio? de João Pais? do nascimento? do inverno? do inferno? de praia? de rei? de obó? da promissão? da promissão roxa? verde da fábula de La Fontaine? espim? do diabo? — O diabo! Lúcifer? Belzebu? Azazel? Exu? marinho? alma? azul? coxo? canhoto? beiçudo? rabudo? careca? tinhoso? pé de pato? pé de cabra? capa verde? romãozinho? bute? cafute? Pedro Botelho? temba? mafarrico? dubá? louro? a quatro? — É uma flor. Da noite? de um dia? do ar? da paixão? do besouro? da quaresma? das almas? de abril? de maio? do imperador? da imperatriz? de cera? de coral? de enxofre? de lã? de lis? de pau? de natal? de São Miguel? de São Benedito? da santa cruz? de sapo? do cardeal? do general? de noiva? de viúva? da cachoeira? de baile? de vaca? de chagas? de sangue? de Jesus? do espírito santo? dos formigueiros? dos amores? dos macaquinhos? dos rapazinhos? de pelicano? de papagaio? de mel? de merenda? de 11 horas? de trombeta? de mariposa? de veludo? do norte? do paraíso? de retórica? neutra? macha? estrelada? radiada? santa? que não se cheira? — É uma bomba. De sucção? de roda? de parede? premente? aspirante-premente? de incêndio? real? transvaliana? vulcânica? atômica? de hidrogênio? de chocolate? suja? de vestibular de medicina? de anarquista? de São João e São Pedro? de fabricação caseira? de aumento do preço do dólar? enfeitada? de zoncho? de efeito psicológico? — É um amor. Perfeito? perfeito da China? perfeito do mato? perfeito azul? perfeito bravo? próprio? materno? filial? incestuoso? livre? platônico? socrático? de vaqueiro? de carnaval? de cigano de perdição? de hortelão? de deus? do próximo? sem olho? à pátria? bruxo? que não ousa dizer seu nome? — Vá em paz. Armada? otaviana? romana? podre? dos pântanos? de Varsóvia? de requiescat? e terra? — Vá com Deus. Qual? ANDRADE, C. D. A eterna imprecisão da linguagem. Correio da Manhã. Rio de Janeiro, 1968. Disponível em <https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/17404/a-eterna-imprecisao-de-linguagem>. (Adaptado).

O sentido da expressão “que não se cheira”, atribuída a “uma flor” pelo narrador do texto, mobiliza especialmente a figura de linguagem:

  1. A) inversão.
  2. B) silepse.
  3. C) gradação.
  4. D) metáfora.
  5. E) repetição.
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Gabarito oficial: D

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Questão 4 · EDUCA · 2025 · Prefeitura Municipal de Umbuzeiro (PB)

Na hora do lobo Quando um homem consome a madrugada rabiscando umas folhas de papel e ele sabe que a vida é tonelada oscilando na ponta de um cordel; ele sabe que o fim de toda estrada não desagua no inferno nem no céu, e ele pensa na feira, na empregada, água e luz, condomínio e aluguel; quando um homem fatiga a voz cansada com palavras da Torre de Babel e ele entende que a coisa mais amada se transmuda na coisa mais cruel; quando a taça em que bebe está quebrada, tanto vidro a boiar em tanto fel e no peito uma dor desatinada essa dor que é tão nítida e fiel; quando um homem de boca tão calada sente a mente girar num carrossel, ele escreve através da madrugada com cuidados de abelha que faz mel: sua vida, talvez, foi destinada a salvar estas folhas de papel. Braulio Tavares, O homem artificial.

No segundo verso, da segunda estrofe, temos uma figura de linguagem chamada de:

  1. A) Metonímia.
  2. B) Paradoxo.
  3. C) Hipérbole.
  4. D) Catacrese.
  5. E) Prosopopeia.
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Gabarito oficial: B

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Questão 5 · Instituto IACP · 2025 · Prefeitura Municipal de Satuba (AL)

“As estações do ano mudam devido à inclinação da Terra em relação ao Sol e à forma como a luz solar incide sobre cada hemisfério. No verão, os dias são verdadeiros fornos que aquecem a terra e a vegetação; no inverno, as noites são cobertores frios que envolvem o mundo, trazendo frio intenso e redução da luz solar. Esse ciclo regular influencia o clima, a vegetação, os animais e a rotina humana, afetando desde a agricultura até as atividades de lazer, mostrando como a natureza e o comportamento humano estão intimamente ligados às mudanças sazonais.”

No trecho: “as noites são cobertores frios que envolvem o mundo”, a figura de linguagem presente é:

  1. A) alternância lexical.
  2. B) repetição.
  3. C) pleonasmo.
  4. D) antítese.
  5. E) metáfora.
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Gabarito oficial: E

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Questão 6 · EDUCA · 2024 · Prefeitura de Alhandra-PB

A CARA VIDA MODERNA Meu primeiro celular parecia um tijolo. Difícil de carregar. Pior ainda, de funcionar. A linha vivia com sinal de ocupado. Mesmo assim era um luxo! Lembro quando liguei pela primeira vez para minha amiga Vera: — Estou em Brasília, no meu celular — contei. — Também quero um! — ela gritou, entusiasmada. De novidade, tornou-se essencial. Agora esses aparelhos são mínimos, fotografam, tocam músicas e acessam a internet. Viver sem um é estar desconectado. No fim do mês vem a conta. Sempre me assusto! As operadoras oferecem pacotes. E de pacote em pacote às vezes eu me sinto embrulhado! Compro por puro entusiasmo uma série de serviços que não uso depois! Um amigo meu tem três celulares. Durante um jantar, falava em todos ao mesmo tempo, enquanto eu tentava conversar. Imagino a conta! A cada dia inventam algo que imediatamente se torna indispensável. Impossível encontrar um adolescente que não sinta necessidade de um laptop. Se não tem, voa para uma lanhouse. A internet ficou tão importante quanto as calças que estou vestindo. O laptop de um jovem ator quebrou às vésperas de ele sair em turnê pelo país com um espetáculo. Está desesperado. — Vou perder meu contato com o mundo! É verdade! E-mails, redes de relacionamento e blogs são vitais para boa parte das pessoas. Tudo isso custa: o orçamento cresce em eletricidade, conexões de banda larga e equipamentos — os avanços são rápidos, é preciso renovar sempre. Falando em avanços: um amigo formou uma excelente coleção de clássicos de cinema em vídeo. Jogou fora e iniciou outra ao surgir o DVD. Agora veio o Blu-ray. O coitado quase explodiu de tão estressado! Mas é impossível permanecer com o equipamento antigo. Em pouco tempo some das lojas. Toca comprar tudo novo! A TV por assinatura tornou-se um sonho de consumo. E os televisores em si? Todo dia fico sabendo de uma tela maior, mais fina e com melhor imagem. Sem falar nos eletrodomésticos, mais e mais sofisticados. Quando comprei o meu primeiro freezer, há muito tempo, um amigo riu: — Para que uma coisa dessas? Hoje ninguém dispensa um freezer. Qualquer item da vida pode se sofisticar: faz-se café expresso em casa, sorvete, iogurte e até pão. Ninguém tem tudo, é fato. Mas todo mundo tenta ter algum novo e fantástico produto! Passada a garantia, é difícil consertar qualquer aparelho. O preço raramente compensa. E logo quebra de novo, mesmo porque muitos técnicos de antigamente perderam o pé nos digitais! Viver ficou muito mais caro. Antes eu parava o carro na rua, agora é Zona Azul ou estacionamento particular; os cinemas aumentaram o valor dos ingressos porque investem em tecnologia; cabeleireiros sofisticaram os produtos; banho em cachorro é melhor no pet shop; é essencial um cartão de crédito, mas vem a anuidade. Além de um bom plano de saúde, é ideal também um de aposentadoria. Tenho certeza: daqui a pouco descobrirei algo absolutamente essencial de cuja existência até agora não tinha o menor conhecimento! Mas os salários não subiram na mesma proporção. No passado era mais fácil cortar gastos. Agora, não. Muitas despesas não podem mais sair do orçamento. Contatos profissionais, bancários e muitos serviços públicos acontecem através de celulares e da internet. Já conheci gente com falta de dinheiro para comer, mas sem poder abdicar do celular! Fonte: Walcyr Carrasco. Disponível em: http://vejasp.abril.com.br/materia/a-cara-vida-moderna.

Na expressão “E de pacote em pacote às vezes eu me sinto embrulhado!“retirada do texto acima, ocorre uma: Assinale a alternativa CORRETA:

  1. A) Metáfora
  2. B) Catacrese
  3. C) Hiperbole
  4. D) Sinestesia
  5. E) Metonímia
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Gabarito oficial: A

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Questão 7 · INAZ do Pará · 2024 · Prefeitura de Barrolândia-TO

O amor deixa muito a desejar (Arnaldo jabor) [...] Eu deveria ter uns 6 anos, no máximo. Foi meu primeiro dia de aula no colégio, lá no Meier, onde a minha mãe me levou, pela Rua 24 de maio, coberta de folhas de mangueira que o vento derrubava. Fiquei sozinho, desamparado, sem pai nem mãe no colégio desconhecido. No pátio do recreio, as crianças corriam. Uma bola de borracha voou em minha direção e bateu em meu peito. Olhei e vi uma menina morena, de tranças com olhos negros, bem perto me pedindo a bola, nesse segundo, eu me apaixonei. Lembro-me de que seu queixo tinha um pequeno machucado, como um arranhão com mercúrio-cromo, lembro-me que ela tinha um nariz arrebitado, insolente e que, num lampejo, eu senti um tremor desconhecido, logo interrompido pelo jogo, pela bola que eu devolvi pelos gritos e correria no recreio. Ela deve ter me olhado no fundo dos olhos por uns três segundos, mas, até hoje, eu me lembro de sua expressão afogueada e vi que ela sentira também algum sinal do corpo, alguma informação do seu destino sexual de fêmea, alguma manifestação da matéria, alguma mensagem do DNA. Recordando a minha impressão de menino, tenho certeza de que os nossos olhos viram a mesma coisa, um no outro. Senti que eu fazia parte de um magnetismo da natureza que me envolvia, que envolvia a menina, que alguma coisa vibrava entre nós e senti que eu tinha um destino ligado àquele tipo de ser, gente que usava trança, que ria com dentes brancos e lábios vermelhos, que era diferente de mim e entendi vagamente que, sem aquela diferença, eu não me completaria. Ela voltou correndo para o jogo, vi suas pernas correndo e ela se virando com uma última olhada. Misteriosamente, nunca mais a encontrei naquela escola. Lembro-me que me lembrei dela quando vi aquele filme Love Story, não pelo medíocre filme, mas pelo rosto de Ali Mcgraww, que era exatamente o rosto que vivia na minha memória. Recordo também, com estranheza, que meu sentimento infantil foi de “impossibilidade”; aquele rosto me pareceu maravilhoso e impossível de ser atingido inteiramente, foi um instante mágico ao mesmo tempo de descoberta e de perda. Escrevendo agora, percebo que aquela sensação de profundo “sentido” que tive aos 6 anos pode ter marcado minha maneira de ser e de amar pelos tempos que viriam. Senti a presença de algo belíssimo e inapreensível que, hoje, velho de guerra, arrisco dizer que talvez seja essa a marca do amor: ser impossível.[...] (Disponível em: http://pensador.uol.com.br/crônica_do_amor_arnaldo_jabor/)

O uso de figura de linguagem como recurso textual explora multiplicidade de sentidos que uma palavra pode trazer ao texto. Em qual trecho é possível perceber o uso desse recurso linguístico no trecho:

  1. A) “Foi meu primeiro dia de aula no colégio, lá no Meier, onde a minha mãe me levou, pela Rua 24 de maio” [...]
  2. B) “lembro-me que ela tinha um nariz arrebitado, insolente e que, num lampejo, eu senti um tremor desconhecido”.
  3. C) “Olhei e vi uma menina morena, de tranças com olhos negros, bem perto me pedindo a bola , nesse segundo, eu me apaixonei.”
  4. D) “eu senti um tremor desconhecido, logo interrompido pelo jogo, pela bola que eu devolvi pelos gritos e correria no recreio.”
  5. E) “Misteriosamente, nunca mais a encontrei naquela escola. Lembro-me que me lembrei dela quando vi aquele filme Love Story, não pelo medíocre filme, mas pelo rosto de Ali Mcgraww, que era exatamente o rosto que vivia na minha memória”
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Gabarito oficial: B

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Questão 8 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO

Os adolescentes, a criatividade, as bolhas e os algoritmos País do futebol arte, da bossa nova, do carnaval espetáculo, do cinema novo e de tantas outras formas de arte admiráveis. Essas sempre foram justificativas para que o Brasil fosse visto como um país criativo, que inova em diversas situações. Por isso, qual não foi a surpresa quando o Pisa, a avaliação internacional para estudantes com 15 anos, realizada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), divulgou os resultados do exame de 2022 no quesito pensamento criativo: estamos no 49º lugar, com 23 pontos. Desde o ano 2000, o Pisa avalia os conhecimentos gerais em matemática, ciências e leitura de alunos de escolas públicas e particulares, e essa foi a primeira vez em que a criatividade foi considerada nas respostas. Com o tema “Mentes criativas e escolas criativas”, a proposta era avaliar como os diferentes países integram a criatividade nos currículos escolares, com o objetivo de formar cidadãos capazes de explorar novas perspectivas para solucionar problemas de maneira original e eficaz. Mas por que será que o Brasil apareceu entre os 12 piores resultados? Especialistas analisam a questão sob diferentes perspectivas: a escola brasileira precisa ser um ambiente mais propício à criatividade, oferecendo mais espaço para disciplinas e atividades que estimulem os alunos a buscarem alternativas novas para os problemas cotidianos e não apenas focar nas disciplinas obrigatórias; os educadores precisam ser melhor formados para implementar atividades e projetos que desenvolvam diferentes competências e habilidades artísticas e inovadoras nas crianças e jovens; os brasileiros são um dos públicos que mais tempo passa em frente às telas de celulares e tablets e, por fim, há quem chame a atenção para as imensas desigualdades de toda ordem existentes em nosso país, que dificultam o aprendizado de conteúdos básicos como leitura, escrita e cálculo. Todas as análises fazem sentido, porém, questões complexas como essa pedem respostas na mesma linha. Há uma crise de criatividade entre as crianças e jovens das novas gerações, e isso é um sinal de que há algo acontecendo nos corações e mentes desse público no mundo inteiro. Como sabemos, a adolescência é a fase de transição entre a infância e a vida adulta, e traz, em seu bojo, a dicotomia entre a saudade dos tempos pueris e o desejo de desbravar o desconhecido, de preferência, por conta e risco. Em tempos em que as conexões digitais têm tomado o espaço precioso das interações reais em que se aprendia a solucionar os problemas por meio da experiência concreta de ter de lidar cara a cara com o diferente e o diverso, assistimos a esses indivíduos aguardando que os algoritmos e sistemas de busca lhes forneçam todas as respostas. E como as máquinas ainda não dão conta da miríade de possibilidades que as relações nos oferecem para a resolução dos problemas, temos meninos e meninas mais acomodados, passivos, entediados. Como exercer a criatividade em uma bolha na qual todos pensam e agem de maneira igual? Como buscar novas visões sobre o que nos rodeia com um algoritmo nos propondo, sem cessar, mais conteúdos sobre o que gostamos e com os quais nos sentimos mais confortáveis? Essas são perguntas que também nós, adultos, temos de nos fazer. Não só como educadores dessa nova geração, mas como indivíduos e cidadãos. Sair das bolhas, combater a polarização e tudo o que nos divide e desumaniza é um exercício cotidiano de criatividade. “Consumimos sempre as mesmas coisas nas redes, ignorando o que é diferente. Por isso, é sempre bom dar um nó no algoritmo. Ouvir playlists fora do que estamos acostumados, andar por regiões diferentes, escutar o que os outros pensam, nos relacionar com pessoas que trazem olhares diferentes das coisas”, aconselha a jornalista e especialista em comunicação digital Pollyana Ferrari, autora do livro “Como sair das bolhas”. Olhar para além das redes é, sobretudo, um exercício de manutenção da saúde mental, mas, como tudo o que envolve um certo esforço e nos desacomoda, torna-se um grande desafio. E andamos cansados demais para dar conta desses e de tantos outros que a vida contemporânea tem nos colocado. É interessante observar como a aparente facilidade que nos é oferecida pelos algoritmos e bolhas vai diminuindo não apenas a nossa criatividade e criticidade. Eles, ao moldarem nossos gostos e necessidades, resumem as nossas preferências a meia dúzia de coisas que conduzem a uma reprodução automática, gerando tédio e desinteresse pelo que nem sabemos existir. Como afirmou um estudante que entrevistamos para o podcast “curti, e daí?”: “Eu estava no TikTok e apareceu um vídeo para mim. Coisas que eu mais gosto, e aí, todas as coisas que apareceram no vídeo eram as coisas que eu mais gostava de fazer. Eu percebo que a cada dia isso é mais evidente, como se fosse diminuindo tudo que eu gosto mais, sabe? Como se fosse compactando as coisas que eu mais gosto…”. Ter consciência do que nos acontece é sempre um bom começo. Porém, é preciso lembrar do porquê de estarmos nas redes: em busca da sensação de pertencimento, algo que é fundamental para o ser humano e mais ainda para aqueles que estão em formação. Estamos sempre à procura de afeto e reconhecimento, e nas redes isso vem de maneira rápida e volumosa, traduzido por cliques e likes. “Desinformação, fake news, tudo é sintoma. Tire-as da reta e o problema continuará ali, igual, de pé. Porque o problema principal é o do alinhamento de identidades e de como é reconfortante estar num grupo homogêneo. Toda conversa, nas redes sociais, se torna um ritual de reafirmação dessa identidade alinhada. Somos atores num palco eternamente demonstrando o quanto somos parecidos com os nossos e distintos daqueles outros”, alerta o jornalista Pedro Dória em seu artigo “A rede social perfeita para as democracias”, publicado no Canal Meio. Nesse sentido, cabe-nos perguntar não apenas por que vivemos uma crise de criatividade, mas sobretudo por que não conseguimos nos encontrar nos espaços que promovem o diálogo, a interação corpo a corpo, que estimulam a imaginação nos trazendo novas paisagens (físicas e ficcionais). Precisamos recuperar a nossa capacidade de imaginar para além dos fatos, dados e informações, já que estamos inundados por eles. Um bom começo pode estar no resgate de alguns sonhos e projetos que não estão no nosso feed. Não requer muito esforço, apenas iniciativa, atitude indissociável da criatividade. (Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/colunistas/2024/07/04/os-adolescentes-a-criatividade-as-bolhas-e-os-algoritmos. Acesso em: setembro de 2024. Adaptado.)

Os fragmentos a seguir apresentam figuras de linguagem. Assinale a alternativa cujo enunciado contém a figura corretamente indicada.

  1. A) “[...] há algo acontecendo nos corações e mentes desse público no mundo [...]” (4º§) – paradoxo.
  2. B) “[...] justificativas para que o Brasil fosse visto como um país criativo, [...]” (1º§) – personificação.
  3. C) “[...] um algoritmo nos propondo (...) mais conteúdos sobre o que gostamos [...]” (4º§) – sinestesia.
  4. D) “Somos atores num palco eternamente demonstrando o quanto somos parecidos [...]” (7º§) – metáfora.
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Gabarito oficial: D

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Questão 9 · DECORP · 2024 · Prefeitura Municipal de Feijó (AC)

Relacione as figuras de palavras ou de semânticas (1 a 5) com as frases (A a E), a seguir e marque a única alternativa correta.
( 1 ) Metáfora
( 2 ) Comparação
( 3 ) Metonímia
( 4 ) Catacrese
( 5 ) Sinestesia
(A) Ela é linda como uma princesa.
(B) Seu filho é um furacão no campo.
(C) Precisamos de muitos braços para este trabalho.
(D) Eu me lembro daquela noite de verão em Feijó, comendo o melhor açaí do Brasil,e do aroma doce dos seus cabelos.
(E) Use a asa da xícara para não queimar a palma da mão ou seus dedos.

  1. A) 1A 2B 3C 4D 5E
  2. B) 1B 2A 3C 4E 5D
  3. C) 1A 2D 3E 4B 5C
  4. D) 1C 2B 3A 4E 5D
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Gabarito oficial: B

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Questão 10 · DECORP · 2024 · Prefeitura Municipal de Feijó (AC)

Em conformidade a língua portuguesa e o novo acordo ortográfico, classifique em verdadeiro (V) ou falso (F) as alternativas a seguir, e marque a única correta.
( ) a hipérbole é uma figura de linguagem de pensamento.
( ) No diálogo “Não estou satisfeita com as tuas notas, filho. — Eu sei, mãe. Não sou bom nessas matérias.”, a figura de linguagem presente é denominada litote.
( ) Na frase “os diários contam segredos” e “a floresta clama por piedade” a figura de linguagem personificação, também chamado de prosopopeia, está presente.
( ) Na frase “Gosto de campo, ele de praia” a figura de linguagem presente representa uma zeugma.
( ) Na frase “A testemunha faltou com a verdade” a figura de linguagem presente representa um eufemismo.

  1. A) F-V-V-F-V
  2. B) F-V-F-V-F
  3. C) V-V-F-V-F
  4. D) V-V-V-V-V
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Gabarito oficial: D

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