O concurso Prefeituras MG - Polo 1 (gabarito: Município de Capitão Enéas-MG, Biomédico, Tipo 41) de 2015 teve prova para o cargo de Biomédico, organizada pela banca COTEC-UNIMONTES. A prova tinha 25 questões. Abaixo estão todas as questões com o gabarito oficial definitivo e 1 já com comentário.
O que caiu nas disciplinas específicas: Microbiologia (6), Parasitologia (3), Urinálise e Líquidos Corporais (2), Bioquímica Clínica (2), Hematologia (1). Os temas mais cobrados foram Meios de cultura, Diagnóstico coproparasitológico, Helmintos, Controle microbiológico, Coprocultura.
Disciplinas gerais: Língua Portuguesa (10), Legislação do SUS e Saúde Pública (1).
Resolver esta prova no app (grátis)
Perguntas frequentes
Qual foi a banca do concurso Prefeituras MG - Polo 1 (gabarito: Município de Capitão Enéas-MG, Biomédico, Tipo 41) 2015 para Biomédico?
A banca foi COTEC-UNIMONTES. Temos 2 provas de Biomédico dessa banca no nosso banco.
Quantas questões teve a prova de Biomédico do concurso Prefeituras MG - Polo 1 (gabarito: Município de Capitão Enéas-MG, Biomédico, Tipo 41) 2015?
A prova teve 25 questões.
O que mais caiu na prova de Biomédico Prefeituras MG - Polo 1 (gabarito: Município de Capitão Enéas-MG, Biomédico, Tipo 41) 2015?
Nas específicas: Microbiologia (6), Parasitologia (3), Urinálise e Líquidos Corporais (2), Bioquímica Clínica (2). Temas mais cobrados: Meios de cultura, Diagnóstico coproparasitológico, Helmintos.
Onde encontro a prova e o gabarito do concurso Prefeituras MG - Polo 1 (gabarito: Município de Capitão Enéas-MG, Biomédico, Tipo 41) 2015?
Nesta página estão todas as questões com o gabarito oficial. No app do Concurso Biomédico dá para resolver a prova, marcar as respostas e ver o desempenho.
Como estudar para o próximo concurso Prefeituras MG - Polo 1 (gabarito: Município de Capitão Enéas-MG, Biomédico, Tipo 41)?
Resolva esta e as outras provas da banca COTEC-UNIMONTES, comece pelas disciplinas que mais caem (Bioquímica Clínica, Microbiologia, Hematologia) e leia os comentários das questões que errar. Quando sair um novo edital, ele aparece na nossa página de concursos abertos.
Questões da prova com gabarito
Questão 2 · COTEC-UNIMONTES · 2015 · Prefeituras MG - Polo 1 (gabarito: Município de Capitão Enéas-MG, Biomédico, Tipo 41)
Os meios de culturas são preparações químicas que possuem em sua formulação nutrientes necessários para que os microrganismos possam se multiplicar, permitindo, entre outras funções, seu estudo e análise. São considerados meios para crescimento e isolamento, EXCETO
- A) Ágar chocolate.
- B) Caldo selenito.
- C) Ágar esculina.
- D) Ágar sangue.
Ver gabarito
Gabarito oficial: C
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 3 · COTEC-UNIMONTES · 2015 · Prefeituras MG - Polo 1 (gabarito: Município de Capitão Enéas-MG, Biomédico, Tipo 41)
Considere as características I e II abaixo:
I - O cristal violeta inibe o crescimento de microrganismos Gram positivos, especialmente enterococos e estafilococos.
II - A concentração de sais de bile é relativamente baixa em comparação com outros meios, por isso não é tão seletivo para Gram negativos como, por exemplo, o ágar SS. As características acima se referem a qual meio de cultura?
- A) Ágar CLED.
- B) Meio Stuart.
- C) Ágar Mac Conkey.
- D) Cary Blair.
Ver gabarito
Gabarito oficial: C
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 4 · COTEC-UNIMONTES · 2015 · Prefeituras MG - Polo 1 (gabarito: Município de Capitão Enéas-MG, Biomédico, Tipo 41)
Lei orgânica da Saúde que dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências.
- A) Lei 8.142, de 28 de dezembro de 1990.
- B) Lei 8.080, de 19 de setembro de 1990.
- C) Lei 8.689, de 27 de julho de 1993.
- D) Lei 8.669, de 12 de julho de 1993.
Ver gabarito
Gabarito oficial: B
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 5 · COTEC-UNIMONTES · 2015 · Prefeituras MG - Polo 1 (gabarito: Município de Capitão Enéas-MG, Biomédico, Tipo 41)
Considere a metodologia abaixo: Adicionar em placas de Petri, separadamente, 15 - 20 mL de ágar caseína soja e Agar Sabouraud-dextrose e deixar solidificar. Secar as placas. Adicionar à superfície de cada meio de cultura, 0,1 mL da amostra preparada como descrito em Preparação das amostras. Incubar as placas contendo ágar caseína-soja a 32,5 ºC ± 2,5 °C, durante 3-5 dias, e as placas contendo ágar Sabouraud-dextrose a 22,5 ºC ± 2,5 °C, durante 5 – 7 dias, para determinação do número de microrganismos aeróbicos totais e bolores e leveduras, respectivamente. Tomar a média aritmética das placas de cada meio e calcular o número de UFC por grama ou mL do produto. Qual tipo de teste para contagem de microrganismos é descrito acima?
- A) Método de profundidade.
- B) Método de adesão.
- C) Método de coesão.
- D) Método de superfície.
Ver gabarito
Gabarito oficial: D
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 6 · COTEC-UNIMONTES · 2015 · Prefeituras MG - Polo 1 (gabarito: Município de Capitão Enéas-MG, Biomédico, Tipo 41)
Coprocultura é o exame bacteriológico das fezes humanas muito utilizado em casos de gastroenterite adulta. Após a colheita, é realizado o plantio do material em um meio de enriquecimento ou um meio seletivo. Com relação a esse exame, assinale a alternativa CORRETA.
- A) O material deve ser coletado, de preferência, após uso de antimicrobianos orais ou sistêmicos e quatro dias após o uso de contrastes radiológicos.
- B) Fezes colhidas nos primeiros dias de doença apresentam mais resultados negativos.
- C) A coleta de amostras múltiplas sucessivas reduz a chance de isolamento do patógeno.
- D) O material sem solução de conservação deve ser processado num período não superior a uma hora.
Ver gabarito
Gabarito oficial: D
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 7 · COTEC-UNIMONTES · 2015 · Prefeituras MG - Polo 1 (gabarito: Município de Capitão Enéas-MG, Biomédico, Tipo 41)
A análise do Líquido Sinovial (LS) é um recurso bastante útil no diagnóstico diferencial de monoartrites agudas e crônicas. Existem quatro subtipos de LS (classe I, classe II, classe III e classe IV). Em relação ao LS, assinale a alternativa INCORRETA.
- A) O LS classe II é amarelo, translúcido e de baixa viscosidade.
- B) O LS classe III é amarelo, opaco e de baixa viscosidade.
- C) O LS classe I é turvo, amarelo e viscoso.
- D) O LS classe IV é vermelho e turvo.
Ver gabarito
Gabarito oficial: C
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 8 · COTEC-UNIMONTES · 2015 · Prefeituras MG - Polo 1 (gabarito: Município de Capitão Enéas-MG, Biomédico, Tipo 41)
Considere a metodologia utilizada em Exames Parasitológicos de Fezes:
1 - Diluir 10g de fezes em 20 mL de água destilada.
2 - Homogeneizar bem.
3 - Filtrar através de gaze dobrada em quatro, num copo plástico, e transferir para um tubo de Wasserman (tubo de hemólise).
4 - Centrifugar por um minuto a 2500 rpm.
5 - Desprezar o líquido sobrenadante e ressuspender o sedimento em água.
6 - Repetir as operações 4 e 5 duas a três vezes, até que o líquido sobrenadante fique claro.
7 - Desprezar a água sobrenadante e ressuspender o sedimento com uma solução de sulfato de zinco a 33%, densidade de 1,18g/mL. Qual o método descrito acima?
- A) Método de Baermann-Moares.
- B) Método de Hoffman.
- C) Método de Faust.
- D) Método de Rugai.
Ver gabarito
Gabarito oficial: C
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 9 · COTEC-UNIMONTES · 2015 · Prefeituras MG - Polo 1 (gabarito: Município de Capitão Enéas-MG, Biomédico, Tipo 41)
Muitas vezes o número de formas parasitárias eliminadas com fezes é pequeno, havendo necessidade de recorrer a processos de enriquecimento para concentrá-las. Os principais processos de enriquecimento são, EXCETO
- A) Centrífugo-sedimentação.
- B) Sedimentação espontânea.
- C) Sedimentação por centrifugação.
- D) Flutuação espontânea.
Ver gabarito
Gabarito oficial: A
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 11 · COTEC-UNIMONTES · 2015 · Prefeituras MG - Polo 1 (gabarito: Município de Capitão Enéas-MG, Biomédico, Tipo 41)
Os glóbulos vermelhos têm uma função essencial para a vida, pois transportam o oxigênio para todas as células do corpo. É por isso que as suas anomalias têm graves repercussões em todo o organismo. A mais frequente alteração dos glóbulos vermelhos corresponde à anemia, que é caracterizada por significativa diminuição
- A) de ferro.
- B) de oxigênio.
- C) da concentração de hemoglobina.
- D) de cálcio.
Ver gabarito
Gabarito oficial: C
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 12 · COTEC-UNIMONTES · 2015 · Prefeituras MG - Polo 1 (gabarito: Município de Capitão Enéas-MG, Biomédico, Tipo 41)
Com relação à coleta da amostra do líquido cefalorraquidiano (LCR), assinale a alternativa CORRETA.
- A) Por ser um procedimento invasivo, o exame de LCR só pode ser realizado após a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
- B) A amostra coletada deve chegar ao laboratório o mais rápido possível, no máximo em 5 horas.
- C) No setor de citologia/hematologia, a amostra de LCR deve ser fresca e centrifugada, para a análise visual; e fresca, centrifugada e devidamente homogeneizada, para a contagem de leucócitos e hemácias em câmaras.
- D) O líquor, em condições normais, é azul, porém, em condições patológicas, pode apresentar alteração na coloração.
Ver gabarito
Gabarito oficial: A
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 13 · COTEC-UNIMONTES · 2015 · Prefeituras MG - Polo 1 (gabarito: Município de Capitão Enéas-MG, Biomédico, Tipo 41)
São fatores que influenciam na velocidade de liberação de enzimas intracelulares para o plasma, EXCETO
- A) Peso molecular.
- B) PH (potencial hidrogeniônico).
- C) Gradiente de concentração.
- D) Permeabilidade dos capilares.
Ver gabarito
Gabarito oficial: B
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 14 · COTEC-UNIMONTES · 2015 · Prefeituras MG - Polo 1 (gabarito: Município de Capitão Enéas-MG, Biomédico, Tipo 41)
Os espectrofotômetros são aparelhos capazes de registrar dados de absorbância ou transmitância em função do comprimento de onda. Das alternativas abaixo, qual representa a sequência CORRETA dos componentes principais de um espectrofotômetro?
- A) Monocromador, Fonte de Luz, Amostra, Detector e Registrador.
- B) Amostra, Fonte de Luz, Monocromador, Detector e Registrador.
- C) Detector, Fonte de Luz, Amostra, Monocromador e Registrador.
- D) Fonte de Luz, Monocromador, Amostra, Detector e Registrador.
Ver gabarito e comentário
Gabarito oficial: D
A sequência correta do espectrofotômetro é: fonte de luz, monocromador, amostra, detector e registrador.
Ver o comentário completo, alternativa por alternativa, no app →
Questão 15 · COTEC-UNIMONTES · 2015 · Prefeituras MG - Polo 1 (gabarito: Município de Capitão Enéas-MG, Biomédico, Tipo 41)
As micoses superficiais e cutâneas têm surgido com grande prevalência nos ambulatórios de Dermatologia. Os métodos comumente utilizados para o diagnóstico de micoses utilizam o reativo Hidróxido de Potássio (KOH), cuja função é
- A) limpar o raspado de pele.
- B) desidratar o raspado de pele.
- C) clarear o raspado de pele.
- D) conservar o raspado de pele. INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto a seguir para responder às questões propostas. A desoras, desfeliz 1 Encenou-se, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, no feriado de 21 de abril, em forma de peça teatral, uma celebração chamada “desenforcamento de Tiradentes”. Com advogado, promotor e júri popular, refez-se o julgamento do herói da Inconfidência Mineira, tudo mais ou menos conforme o que registram os autos de dois séculos atrás, mas com resultado inverso: no final o réu é inocentado. Ou seja, desenforcado. 5 O melhor de tudo foi o título. “Desenforcamento” entra para o rol de mágicas palavras que o ‘des’ inicial permite criar, invertendo significados e instituindo um mundo às avessas. Em Apesar de Você, sua música contra a ditadura, Chico Buarque pediu: “Você, que inventou a tristeza, ora tenha a fineza de desinventar”. Talvez já se invocasse o “desinventar” antes; depois, invocou-se mais ainda. Até foi acolhido no dicionário digital Aulete, que lhe dá o significado de “retroceder, retroagir 10 na ação de inventar”, e oferece como exemplo um trecho do poeta Manoel de Barros: “É preciso desinventar os objetos. O pente, por exemplo. É preciso dar ao pente a função de não pentear. Até que ele fique à disposição de ser uma begônia”. Numa de suas malucas aventuras no País das Maravilhas, Alice comemora seu unbirthday, como escreveu o autor do livro, o inglês Lewis Carroll. Unbirthday foi traduzida em português para 15 “desaniversário”, bela palavra para significar um belíssimo não evento. E, por falar em belo, a escritora Ana Miranda deu o título de Desmundo ao romance em que narra a sina de uma órfã portuguesa enviada à força ao Brasil da época do Descobrimento para servir de esposa a um dos desbravadores da terra. “Desmundo” é mais que fim do mundo; é o mundo ao avesso. É o que aguarda, no romance, a inocente Oribela. Há bons exemplos mais antigos. No livro 20 Roteiro de Macunaíma, de 1950, o crítico M. Cavalcanti Proença escreveu que o personagem de Mário de Andrade resumia as “desvirtudes nacionais”. O próprio Mário de Andrade engendrou, por sua vez, outro oportuno ‘des’ ao lamentar, num poema (Louvação da Tarde), a “pátria tão despatriada”. Desvirtudes nacionais e despatriamentos da pátria continuam em cartaz, 87 anos depois da publicação de Macunaíma e setenta depois da morte de Mário de Andrade, completados neste ano, mas não 25 é disso que se trata aqui – por que raios, ó insistente leitor, o colunista teria sempre de afundar no mar de nossas misérias públicas? Refugiemo-nos nas palavras. O tema de hoje são as que portam o prefixo ‘des’, começando com as inventadas, mas não se esgotando nelas. O exímio criador/recolhedor de palavras que foi Guimarães Rosa espalhou por suas obras, entre muitas outras, “desamigo”, “desendoidecer”, “desdormido”, “desexistir”, “destriste”, “desfeliz”, “desviver”, “desfalar”. 30 No precioso livro O Léxico de Guimarães Rosa, da professora Nice Sant’Anna Martins, registram-se exatas 230 palavras com ‘des’, sinal de que o ‘des’ é uma tentação irresistível para quem gosta de brincar com as possibilidades do idioma. Até “desmim” Guimarães Rosa inventou. “Querer mil gritar, e não pude, desmim de mim mesmo, me tonteava, numas ânsias”, diz Riobaldo, no Grande Sertão: Veredas. O ‘des’ traz em si a atração anarquista de pôr o mundo de cabeça para baixo. Mesmo as palavras em 35 ‘des’ perfeitamente acomodadas à língua, e acolhidas nos dicionários há muitos anos, nos chegam com novo viço quando nos detemos a examiná-las. A uma família melancólica pertencem “desamor”, “desventura”, “desencanto” e a fatal “desespero”, ao inverter o alto significado moral de “amor”, “ventura”, “encanto” e “esperança”. “Desassossego” vai no mesmo caminho. “Desentendimento” é mais bruta; é eufemismo para briga. Ao contrário, de alto valor moral são 40 “destemor” e “desassombro” ao opor-se ao temor e ao assombro. “Desatino” é humilhante; é perder o tino. “Desoras” só pode ter sido criada por um surrealista. Usa-se no sentido de “altas horas”, mas na pura raiz etimológica significa estar fora das horas – como assim, fora das horas? “Desasnar” é o inspirado sinônimo de aprender pela via de deixar de ser asno. Uma ida ao dicionário, onde dormem as palavras em estado de inocência, revela maravilhas. O leitor 45 não deve saber, como o colunista não sabia, que existe a palavra “desnamorar”, assim como “desnamorado”. A difícil arte do dicionarista revela-se em seu melhor na definição de “namorar” do Houaiss: “terem duas pessoas relacionamento amoroso em que a aproximação física e psíquica, fundada numa atração recíproca, aspira à continuidade”. Descontinuada tal relação, fica-se com a desconsolada figura do desnamorado, que se imagina desamparado, a desoras, desnorteado e desterrado de si mesmo, desfeliz. (TOLEDO, Roberto Pompeu de. A desoras, desfeliz. Revista Veja, 3-março-2015.)
Ver gabarito
Gabarito oficial: C
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 16 · COTEC-UNIMONTES · 2015 · Prefeituras MG - Polo 1 (gabarito: Município de Capitão Enéas-MG, Biomédico, Tipo 41)
A desoras, desfeliz Encenou-se, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, no feriado de 21 de abril, em forma de peça teatral, uma celebração chamada “desenforcamento de Tiradentes”. Com advogado, promotor e júri popular, refez-se o julgamento do herói da Inconfidência Mineira, tudo mais ou menos conforme o que registram os autos de dois séculos atrás, mas com resultado inverso: no final o réu é inocentado. Ou seja, desenforcado. 5 O melhor de tudo foi o título. “Desenforcamento” entra para o rol de mágicas palavras que o ‘des’ inicial permite criar, invertendo significados e instituindo um mundo às avessas. Em Apesar de Você, sua música contra a ditadura, Chico Buarque pediu: “Você, que inventou a tristeza, ora tenha a fineza de desinventar”. Talvez já se invocasse o “desinventar” antes; depois, invocou-se mais ainda. Até foi acolhido no dicionário digital Aulete, que lhe dá o significado de “retroceder, retroagir 10 na ação de inventar”, e oferece como exemplo um trecho do poeta Manoel de Barros: “É preciso desinventar os objetos. O pente, por exemplo. É preciso dar ao pente a função de não pentear. Até que ele fique à disposição de ser uma begônia”. Numa de suas malucas aventuras no País das Maravilhas, Alice comemora seu unbirthday, como escreveu o autor do livro, o inglês Lewis Carroll. Unbirthday foi traduzida em português para 15 “desaniversário”, bela palavra para significar um belíssimo não evento. E, por falar em belo, a escritora Ana Miranda deu o título de Desmundo ao romance em que narra a sina de uma órfã portuguesa enviada à força ao Brasil da época do Descobrimento para servir de esposa a um dos desbravadores da terra. “Desmundo” é mais que fim do mundo; é o mundo ao avesso. É o que aguarda, no romance, a inocente Oribela. Há bons exemplos mais antigos. No livro 20 Roteiro de Macunaíma, de 1950, o crítico M. Cavalcanti Proença escreveu que o personagem de Mário de Andrade resumia as “desvirtudes nacionais”. O próprio Mário de Andrade engendrou, por sua vez, outro oportuno ‘des’ ao lamentar, num poema (Louvação da Tarde), a “pátria tão despatriada”. Desvirtudes nacionais e despatriamentos da pátria continuam em cartaz, 87 anos depois da publicação de Macunaíma e setenta depois da morte de Mário de Andrade, completados neste ano, mas não 25 é disso que se trata aqui – por que raios, ó insistente leitor, o colunista teria sempre de afundar no mar de nossas misérias públicas? Refugiemo-nos nas palavras. O tema de hoje são as que portam o prefixo ‘des’, começando com as inventadas, mas não se esgotando nelas. O exímio criador/recolhedor de palavras que foi Guimarães Rosa espalhou por suas obras, entre muitas outras, “desamigo”, “desendoidecer”, “desdormido”, “desexistir”, “destriste”, “desfeliz”, “desviver”, “desfalar”. No precioso livro O Léxico de Guimarães Rosa, da professora Nice Sant’Anna Martins, registram-se exatas 230 palavras com ‘des’, sinal de que o ‘des’ é uma tentação irresistível para quem gosta de brincar com as possibilidades do idioma. Até “desmim” Guimarães Rosa inventou. “Querer mil gritar, e não pude, desmim de mim mesmo, me tonteava, numas ânsias”, diz Riobaldo, no Grande Sertão: Veredas. O ‘des’ traz em si a atração anarquista de pôr o mundo de cabeça para baixo. Mesmo as palavras em 35 ‘des’ perfeitamente acomodadas à língua, e acolhidas nos dicionários há muitos anos, nos chegam com novo viço quando nos detemos a examiná-las. A uma família melancólica pertencem “desamor”, “desventura”, “desencanto” e a fatal “desespero”, ao inverter o alto significado moral de “amor”, “ventura”, “encanto” e “esperança”. “Desassossego” vai no mesmo caminho. “Desentendimento” é mais bruta; é eufemismo para briga. Ao contrário, de alto valor moral são 40 “destemor” e “desassombro” ao opor-se ao temor e ao assombro. “Desatino” é humilhante; é perder o tino. “Desoras” só pode ter sido criada por um surrealista. Usa-se no sentido de “altas horas”, mas na pura raiz etimológica significa estar fora das horas – como assim, fora das horas? “Desasnar” é o inspirado sinônimo de aprender pela via de deixar de ser asno. Uma ida ao dicionário, onde dormem as palavras em estado de inocência, revela maravilhas. O leitor 45 não deve saber, como o colunista não sabia, que existe a palavra “desnamorar”, assim como “desnamorado”. A difícil arte do dicionarista revela-se em seu melhor na definição de “namorar” do Houaiss: “terem duas pessoas relacionamento amoroso em que a aproximação física e psíquica, fundada numa atração recíproca, aspira à continuidade”. Descontinuada tal relação, fica-se com a desconsolada figura do desnamorado, que se imagina desamparado, a desoras, desnorteado e desterrado de si mesmo, desfeliz. (TOLEDO, Roberto Pompeu de. A desoras, desfeliz. Revista Veja, 3-março-2015.)
A partir das ideias defendidas pelo articulista, pode-se inferir, EXCETO
- A) O prefixo ‘des’ é muito produtivo, já que possibilita a formação de muitos neologismos.
- B) Certos neologismos são registrados pelo dicionário, mas outros, não.
- C) A criação constante de novas palavras causa desorganização na língua portuguesa.
- D) Há palavras formadas com o prefixo ‘des’ que não são do conhecimento do usuário da língua.
Ver gabarito
Gabarito oficial: C
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 17 · COTEC-UNIMONTES · 2015 · Prefeituras MG - Polo 1 (gabarito: Município de Capitão Enéas-MG, Biomédico, Tipo 41)
A desoras, desfeliz Encenou-se, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, no feriado de 21 de abril, em forma de peça teatral, uma celebração chamada “desenforcamento de Tiradentes”. Com advogado, promotor e júri popular, refez-se o julgamento do herói da Inconfidência Mineira, tudo mais ou menos conforme o que registram os autos de dois séculos atrás, mas com resultado inverso: no final o réu é inocentado. Ou seja, desenforcado. 5 O melhor de tudo foi o título. “Desenforcamento” entra para o rol de mágicas palavras que o ‘des’ inicial permite criar, invertendo significados e instituindo um mundo às avessas. Em Apesar de Você, sua música contra a ditadura, Chico Buarque pediu: “Você, que inventou a tristeza, ora tenha a fineza de desinventar”. Talvez já se invocasse o “desinventar” antes; depois, invocou-se mais ainda. Até foi acolhido no dicionário digital Aulete, que lhe dá o significado de “retroceder, retroagir 10 na ação de inventar”, e oferece como exemplo um trecho do poeta Manoel de Barros: “É preciso desinventar os objetos. O pente, por exemplo. É preciso dar ao pente a função de não pentear. Até que ele fique à disposição de ser uma begônia”. Numa de suas malucas aventuras no País das Maravilhas, Alice comemora seu unbirthday, como escreveu o autor do livro, o inglês Lewis Carroll. Unbirthday foi traduzida em português para 15 “desaniversário”, bela palavra para significar um belíssimo não evento. E, por falar em belo, a escritora Ana Miranda deu o título de Desmundo ao romance em que narra a sina de uma órfã portuguesa enviada à força ao Brasil da época do Descobrimento para servir de esposa a um dos desbravadores da terra. “Desmundo” é mais que fim do mundo; é o mundo ao avesso. É o que aguarda, no romance, a inocente Oribela. Há bons exemplos mais antigos. No livro 20 Roteiro de Macunaíma, de 1950, o crítico M. Cavalcanti Proença escreveu que o personagem de Mário de Andrade resumia as “desvirtudes nacionais”. O próprio Mário de Andrade engendrou, por sua vez, outro oportuno ‘des’ ao lamentar, num poema (Louvação da Tarde), a “pátria tão despatriada”. Desvirtudes nacionais e despatriamentos da pátria continuam em cartaz, 87 anos depois da publicação de Macunaíma e setenta depois da morte de Mário de Andrade, completados neste ano, mas não 25 é disso que se trata aqui – por que raios, ó insistente leitor, o colunista teria sempre de afundar no mar de nossas misérias públicas? Refugiemo-nos nas palavras. O tema de hoje são as que portam o prefixo ‘des’, começando com as inventadas, mas não se esgotando nelas. O exímio criador/recolhedor de palavras que foi Guimarães Rosa espalhou por suas obras, entre muitas outras, “desamigo”, “desendoidecer”, “desdormido”, “desexistir”, “destriste”, “desfeliz”, “desviver”, “desfalar”. No precioso livro O Léxico de Guimarães Rosa, da professora Nice Sant’Anna Martins, registram-se exatas 230 palavras com ‘des’, sinal de que o ‘des’ é uma tentação irresistível para quem gosta de brincar com as possibilidades do idioma. Até “desmim” Guimarães Rosa inventou. “Querer mil gritar, e não pude, desmim de mim mesmo, me tonteava, numas ânsias”, diz Riobaldo, no Grande Sertão: Veredas. O ‘des’ traz em si a atração anarquista de pôr o mundo de cabeça para baixo. Mesmo as palavras em 35 ‘des’ perfeitamente acomodadas à língua, e acolhidas nos dicionários há muitos anos, nos chegam com novo viço quando nos detemos a examiná-las. A uma família melancólica pertencem “desamor”, “desventura”, “desencanto” e a fatal “desespero”, ao inverter o alto significado moral de “amor”, “ventura”, “encanto” e “esperança”. “Desassossego” vai no mesmo caminho. “Desentendimento” é mais bruta; é eufemismo para briga. Ao contrário, de alto valor moral são 40 “destemor” e “desassombro” ao opor-se ao temor e ao assombro. “Desatino” é humilhante; é perder o tino. “Desoras” só pode ter sido criada por um surrealista. Usa-se no sentido de “altas horas”, mas na pura raiz etimológica significa estar fora das horas – como assim, fora das horas? “Desasnar” é o inspirado sinônimo de aprender pela via de deixar de ser asno. Uma ida ao dicionário, onde dormem as palavras em estado de inocência, revela maravilhas. O leitor 45 não deve saber, como o colunista não sabia, que existe a palavra “desnamorar”, assim como “desnamorado”. A difícil arte do dicionarista revela-se em seu melhor na definição de “namorar” do Houaiss: “terem duas pessoas relacionamento amoroso em que a aproximação física e psíquica, fundada numa atração recíproca, aspira à continuidade”. Descontinuada tal relação, fica-se com a desconsolada figura do desnamorado, que se imagina desamparado, a desoras, desnorteado e desterrado de si mesmo, desfeliz. (TOLEDO, Roberto Pompeu de. A desoras, desfeliz. Revista Veja, 3-março-2015.)
Em todas as alternativas, o articulista trabalha com a semântica do prefixo ‘des’, EXCETO
- A) “... entra para o rol de mágicas palavras que o ‘des’ inicial permite criar, invertendo significados e instituindo um mundo às avessas.” (Linhas 5-6)
- B) “Unbirthday foi traduzida em português para “desaniversário”, bela palavra para significar um belíssimo não evento.” (Linhas 14-15)
- C) “Uma ida ao dicionário, onde dormem as palavras em estado de inocência, revela maravilhas.” (Linha 44)
- D) “ ‘Desmundo’ é mais que fim do mundo; é o mundo ao avesso.” (Linhas 17-18)
Ver gabarito
Gabarito oficial: C
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 18 · COTEC-UNIMONTES · 2015 · Prefeituras MG - Polo 1 (gabarito: Município de Capitão Enéas-MG, Biomédico, Tipo 41)
A desoras, desfeliz Encenou-se, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, no feriado de 21 de abril, em forma de peça teatral, uma celebração chamada “desenforcamento de Tiradentes”. Com advogado, promotor e júri popular, refez-se o julgamento do herói da Inconfidência Mineira, tudo mais ou menos conforme o que registram os autos de dois séculos atrás, mas com resultado inverso: no final o réu é inocentado. Ou seja, desenforcado. 5 O melhor de tudo foi o título. “Desenforcamento” entra para o rol de mágicas palavras que o ‘des’ inicial permite criar, invertendo significados e instituindo um mundo às avessas. Em Apesar de Você, sua música contra a ditadura, Chico Buarque pediu: “Você, que inventou a tristeza, ora tenha a fineza de desinventar”. Talvez já se invocasse o “desinventar” antes; depois, invocou-se mais ainda. Até foi acolhido no dicionário digital Aulete, que lhe dá o significado de “retroceder, retroagir 10 na ação de inventar”, e oferece como exemplo um trecho do poeta Manoel de Barros: “É preciso desinventar os objetos. O pente, por exemplo. É preciso dar ao pente a função de não pentear. Até que ele fique à disposição de ser uma begônia”. Numa de suas malucas aventuras no País das Maravilhas, Alice comemora seu unbirthday, como escreveu o autor do livro, o inglês Lewis Carroll. Unbirthday foi traduzida em português para 15 “desaniversário”, bela palavra para significar um belíssimo não evento. E, por falar em belo, a escritora Ana Miranda deu o título de Desmundo ao romance em que narra a sina de uma órfã portuguesa enviada à força ao Brasil da época do Descobrimento para servir de esposa a um dos desbravadores da terra. “Desmundo” é mais que fim do mundo; é o mundo ao avesso. É o que aguarda, no romance, a inocente Oribela. Há bons exemplos mais antigos. No livro 20 Roteiro de Macunaíma, de 1950, o crítico M. Cavalcanti Proença escreveu que o personagem de Mário de Andrade resumia as “desvirtudes nacionais”. O próprio Mário de Andrade engendrou, por sua vez, outro oportuno ‘des’ ao lamentar, num poema (Louvação da Tarde), a “pátria tão despatriada”. Desvirtudes nacionais e despatriamentos da pátria continuam em cartaz, 87 anos depois da publicação de Macunaíma e setenta depois da morte de Mário de Andrade, completados neste ano, mas não 25 é disso que se trata aqui – por que raios, ó insistente leitor, o colunista teria sempre de afundar no mar de nossas misérias públicas? Refugiemo-nos nas palavras. O tema de hoje são as que portam o prefixo ‘des’, começando com as inventadas, mas não se esgotando nelas. O exímio criador/recolhedor de palavras que foi Guimarães Rosa espalhou por suas obras, entre muitas outras, “desamigo”, “desendoidecer”, “desdormido”, “desexistir”, “destriste”, “desfeliz”, “desviver”, “desfalar”. No precioso livro O Léxico de Guimarães Rosa, da professora Nice Sant’Anna Martins, registram-se exatas 230 palavras com ‘des’, sinal de que o ‘des’ é uma tentação irresistível para quem gosta de brincar com as possibilidades do idioma. Até “desmim” Guimarães Rosa inventou. “Querer mil gritar, e não pude, desmim de mim mesmo, me tonteava, numas ânsias”, diz Riobaldo, no Grande Sertão: Veredas. O ‘des’ traz em si a atração anarquista de pôr o mundo de cabeça para baixo. Mesmo as palavras em 35 ‘des’ perfeitamente acomodadas à língua, e acolhidas nos dicionários há muitos anos, nos chegam com novo viço quando nos detemos a examiná-las. A uma família melancólica pertencem “desamor”, “desventura”, “desencanto” e a fatal “desespero”, ao inverter o alto significado moral de “amor”, “ventura”, “encanto” e “esperança”. “Desassossego” vai no mesmo caminho. “Desentendimento” é mais bruta; é eufemismo para briga. Ao contrário, de alto valor moral são 40 “destemor” e “desassombro” ao opor-se ao temor e ao assombro. “Desatino” é humilhante; é perder o tino. “Desoras” só pode ter sido criada por um surrealista. Usa-se no sentido de “altas horas”, mas na pura raiz etimológica significa estar fora das horas – como assim, fora das horas? “Desasnar” é o inspirado sinônimo de aprender pela via de deixar de ser asno. Uma ida ao dicionário, onde dormem as palavras em estado de inocência, revela maravilhas. O leitor 45 não deve saber, como o colunista não sabia, que existe a palavra “desnamorar”, assim como “desnamorado”. A difícil arte do dicionarista revela-se em seu melhor na definição de “namorar” do Houaiss: “terem duas pessoas relacionamento amoroso em que a aproximação física e psíquica, fundada numa atração recíproca, aspira à continuidade”. Descontinuada tal relação, fica-se com a desconsolada figura do desnamorado, que se imagina desamparado, a desoras, desnorteado e desterrado de si mesmo, desfeliz. (TOLEDO, Roberto Pompeu de. A desoras, desfeliz. Revista Veja, 3-março-2015.)
Considere o trecho: “Desvirtudes nacionais e despatriamentos da pátria continuam em cartaz, 87 anos depois da publicação de Macunaíma e setenta depois da morte de Mário de Andrade, completados neste ano, mas não é disso que se trata aqui – por que raios, ó insistente leitor, o colunista teria sempre de afundar no mar de nossas misérias públicas? Refugiemo-nos nas palavras.” (Linhas 23-26) Através desse trecho, infere-se, EXCETO que o articulista
- A) não gosta de abordar questões que dizem respeito aos problemas sociais do Brasil.
- B) aproveita o tema para fazer críticas a determinados comportamentos existentes no Brasil.
- C) normalmente aborda problemas da sociedade brasileira.
- D) Lidar com o tema que envolve palavras é uma forma de evitar falar de problemas que afetam a sociedade.
Ver gabarito
Gabarito oficial: A
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 19 · COTEC-UNIMONTES · 2015 · Prefeituras MG - Polo 1 (gabarito: Município de Capitão Enéas-MG, Biomédico, Tipo 41)
A desoras, desfeliz Encenou-se, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, no feriado de 21 de abril, em forma de peça teatral, uma celebração chamada “desenforcamento de Tiradentes”. Com advogado, promotor e júri popular, refez-se o julgamento do herói da Inconfidência Mineira, tudo mais ou menos conforme o que registram os autos de dois séculos atrás, mas com resultado inverso: no final o réu é inocentado. Ou seja, desenforcado. 5 O melhor de tudo foi o título. “Desenforcamento” entra para o rol de mágicas palavras que o ‘des’ inicial permite criar, invertendo significados e instituindo um mundo às avessas. Em Apesar de Você, sua música contra a ditadura, Chico Buarque pediu: “Você, que inventou a tristeza, ora tenha a fineza de desinventar”. Talvez já se invocasse o “desinventar” antes; depois, invocou-se mais ainda. Até foi acolhido no dicionário digital Aulete, que lhe dá o significado de “retroceder, retroagir 10 na ação de inventar”, e oferece como exemplo um trecho do poeta Manoel de Barros: “É preciso desinventar os objetos. O pente, por exemplo. É preciso dar ao pente a função de não pentear. Até que ele fique à disposição de ser uma begônia”. Numa de suas malucas aventuras no País das Maravilhas, Alice comemora seu unbirthday, como escreveu o autor do livro, o inglês Lewis Carroll. Unbirthday foi traduzida em português para 15 “desaniversário”, bela palavra para significar um belíssimo não evento. E, por falar em belo, a escritora Ana Miranda deu o título de Desmundo ao romance em que narra a sina de uma órfã portuguesa enviada à força ao Brasil da época do Descobrimento para servir de esposa a um dos desbravadores da terra. “Desmundo” é mais que fim do mundo; é o mundo ao avesso. É o que aguarda, no romance, a inocente Oribela. Há bons exemplos mais antigos. No livro 20 Roteiro de Macunaíma, de 1950, o crítico M. Cavalcanti Proença escreveu que o personagem de Mário de Andrade resumia as “desvirtudes nacionais”. O próprio Mário de Andrade engendrou, por sua vez, outro oportuno ‘des’ ao lamentar, num poema (Louvação da Tarde), a “pátria tão despatriada”. Desvirtudes nacionais e despatriamentos da pátria continuam em cartaz, 87 anos depois da publicação de Macunaíma e setenta depois da morte de Mário de Andrade, completados neste ano, mas não 25 é disso que se trata aqui – por que raios, ó insistente leitor, o colunista teria sempre de afundar no mar de nossas misérias públicas? Refugiemo-nos nas palavras. O tema de hoje são as que portam o prefixo ‘des’, começando com as inventadas, mas não se esgotando nelas. O exímio criador/recolhedor de palavras que foi Guimarães Rosa espalhou por suas obras, entre muitas outras, “desamigo”, “desendoidecer”, “desdormido”, “desexistir”, “destriste”, “desfeliz”, “desviver”, “desfalar”. No precioso livro O Léxico de Guimarães Rosa, da professora Nice Sant’Anna Martins, registram-se exatas 230 palavras com ‘des’, sinal de que o ‘des’ é uma tentação irresistível para quem gosta de brincar com as possibilidades do idioma. Até “desmim” Guimarães Rosa inventou. “Querer mil gritar, e não pude, desmim de mim mesmo, me tonteava, numas ânsias”, diz Riobaldo, no Grande Sertão: Veredas. O ‘des’ traz em si a atração anarquista de pôr o mundo de cabeça para baixo. Mesmo as palavras em 35 ‘des’ perfeitamente acomodadas à língua, e acolhidas nos dicionários há muitos anos, nos chegam com novo viço quando nos detemos a examiná-las. A uma família melancólica pertencem “desamor”, “desventura”, “desencanto” e a fatal “desespero”, ao inverter o alto significado moral de “amor”, “ventura”, “encanto” e “esperança”. “Desassossego” vai no mesmo caminho. “Desentendimento” é mais bruta; é eufemismo para briga. Ao contrário, de alto valor moral são 40 “destemor” e “desassombro” ao opor-se ao temor e ao assombro. “Desatino” é humilhante; é perder o tino. “Desoras” só pode ter sido criada por um surrealista. Usa-se no sentido de “altas horas”, mas na pura raiz etimológica significa estar fora das horas – como assim, fora das horas? “Desasnar” é o inspirado sinônimo de aprender pela via de deixar de ser asno. Uma ida ao dicionário, onde dormem as palavras em estado de inocência, revela maravilhas. O leitor 45 não deve saber, como o colunista não sabia, que existe a palavra “desnamorar”, assim como “desnamorado”. A difícil arte do dicionarista revela-se em seu melhor na definição de “namorar” do Houaiss: “terem duas pessoas relacionamento amoroso em que a aproximação física e psíquica, fundada numa atração recíproca, aspira à continuidade”. Descontinuada tal relação, fica-se com a desconsolada figura do desnamorado, que se imagina desamparado, a desoras, desnorteado e desterrado de si mesmo, desfeliz. (TOLEDO, Roberto Pompeu de. A desoras, desfeliz. Revista Veja, 3-março-2015.)
Ao afirmar: “Desentendimento” é mais bruta; é eufemismo para briga” (linha 39), o autor propõe que o termo
- A) “desentendimento” é mais pesado que o termo “briga”.
- B) “briga” é um termo mais popular que “desentendimento”.
- C) “desentendimento” é formal, e o termo “briga”, coloquial.
- D) “desentendimento” é mais brando que o termo “briga”.
Ver gabarito
Gabarito oficial: D
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 20 · COTEC-UNIMONTES · 2015 · Prefeituras MG - Polo 1 (gabarito: Município de Capitão Enéas-MG, Biomédico, Tipo 41)
A desoras, desfeliz Encenou-se, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, no feriado de 21 de abril, em forma de peça teatral, uma celebração chamada “desenforcamento de Tiradentes”. Com advogado, promotor e júri popular, refez-se o julgamento do herói da Inconfidência Mineira, tudo mais ou menos conforme o que registram os autos de dois séculos atrás, mas com resultado inverso: no final o réu é inocentado. Ou seja, desenforcado. 5 O melhor de tudo foi o título. “Desenforcamento” entra para o rol de mágicas palavras que o ‘des’ inicial permite criar, invertendo significados e instituindo um mundo às avessas. Em Apesar de Você, sua música contra a ditadura, Chico Buarque pediu: “Você, que inventou a tristeza, ora tenha a fineza de desinventar”. Talvez já se invocasse o “desinventar” antes; depois, invocou-se mais ainda. Até foi acolhido no dicionário digital Aulete, que lhe dá o significado de “retroceder, retroagir 10 na ação de inventar”, e oferece como exemplo um trecho do poeta Manoel de Barros: “É preciso desinventar os objetos. O pente, por exemplo. É preciso dar ao pente a função de não pentear. Até que ele fique à disposição de ser uma begônia”. Numa de suas malucas aventuras no País das Maravilhas, Alice comemora seu unbirthday, como escreveu o autor do livro, o inglês Lewis Carroll. Unbirthday foi traduzida em português para 15 “desaniversário”, bela palavra para significar um belíssimo não evento. E, por falar em belo, a escritora Ana Miranda deu o título de Desmundo ao romance em que narra a sina de uma órfã portuguesa enviada à força ao Brasil da época do Descobrimento para servir de esposa a um dos desbravadores da terra. “Desmundo” é mais que fim do mundo; é o mundo ao avesso. É o que aguarda, no romance, a inocente Oribela. Há bons exemplos mais antigos. No livro 20 Roteiro de Macunaíma, de 1950, o crítico M. Cavalcanti Proença escreveu que o personagem de Mário de Andrade resumia as “desvirtudes nacionais”. O próprio Mário de Andrade engendrou, por sua vez, outro oportuno ‘des’ ao lamentar, num poema (Louvação da Tarde), a “pátria tão despatriada”. Desvirtudes nacionais e despatriamentos da pátria continuam em cartaz, 87 anos depois da publicação de Macunaíma e setenta depois da morte de Mário de Andrade, completados neste ano, mas não 25 é disso que se trata aqui – por que raios, ó insistente leitor, o colunista teria sempre de afundar no mar de nossas misérias públicas? Refugiemo-nos nas palavras. O tema de hoje são as que portam o prefixo ‘des’, começando com as inventadas, mas não se esgotando nelas. O exímio criador/recolhedor de palavras que foi Guimarães Rosa espalhou por suas obras, entre muitas outras, “desamigo”, “desendoidecer”, “desdormido”, “desexistir”, “destriste”, “desfeliz”, “desviver”, “desfalar”. No precioso livro O Léxico de Guimarães Rosa, da professora Nice Sant’Anna Martins, registram-se exatas 230 palavras com ‘des’, sinal de que o ‘des’ é uma tentação irresistível para quem gosta de brincar com as possibilidades do idioma. Até “desmim” Guimarães Rosa inventou. “Querer mil gritar, e não pude, desmim de mim mesmo, me tonteava, numas ânsias”, diz Riobaldo, no Grande Sertão: Veredas. O ‘des’ traz em si a atração anarquista de pôr o mundo de cabeça para baixo. Mesmo as palavras em 35 ‘des’ perfeitamente acomodadas à língua, e acolhidas nos dicionários há muitos anos, nos chegam com novo viço quando nos detemos a examiná-las. A uma família melancólica pertencem “desamor”, “desventura”, “desencanto” e a fatal “desespero”, ao inverter o alto significado moral de “amor”, “ventura”, “encanto” e “esperança”. “Desassossego” vai no mesmo caminho. “Desentendimento” é mais bruta; é eufemismo para briga. Ao contrário, de alto valor moral são 40 “destemor” e “desassombro” ao opor-se ao temor e ao assombro. “Desatino” é humilhante; é perder o tino. “Desoras” só pode ter sido criada por um surrealista. Usa-se no sentido de “altas horas”, mas na pura raiz etimológica significa estar fora das horas – como assim, fora das horas? “Desasnar” é o inspirado sinônimo de aprender pela via de deixar de ser asno. Uma ida ao dicionário, onde dormem as palavras em estado de inocência, revela maravilhas. O leitor 45 não deve saber, como o colunista não sabia, que existe a palavra “desnamorar”, assim como “desnamorado”. A difícil arte do dicionarista revela-se em seu melhor na definição de “namorar” do Houaiss: “terem duas pessoas relacionamento amoroso em que a aproximação física e psíquica, fundada numa atração recíproca, aspira à continuidade”. Descontinuada tal relação, fica-se com a desconsolada figura do desnamorado, que se imagina desamparado, a desoras, desnorteado e desterrado de si mesmo, desfeliz. (TOLEDO, Roberto Pompeu de. A desoras, desfeliz. Revista Veja, 3-março-2015.)
Em relação ao trecho da questão anterior, infere-se que a expressão “estado de inocência”, denotativamente, significa que as palavras
- A) não foram ainda usadas em contextos.
- B) possuem significados simples.
- C) perderam o seu valor original.
- D) são vazias de significação.
Ver gabarito
Gabarito oficial: A
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 21 · COTEC-UNIMONTES · 2015 · Prefeituras MG - Polo 1 (gabarito: Município de Capitão Enéas-MG, Biomédico, Tipo 41)
A desoras, desfeliz Encenou-se, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, no feriado de 21 de abril, em forma de peça teatral, uma celebração chamada “desenforcamento de Tiradentes”. Com advogado, promotor e júri popular, refez-se o julgamento do herói da Inconfidência Mineira, tudo mais ou menos conforme o que registram os autos de dois séculos atrás, mas com resultado inverso: no final o réu é inocentado. Ou seja, desenforcado. 5 O melhor de tudo foi o título. “Desenforcamento” entra para o rol de mágicas palavras que o ‘des’ inicial permite criar, invertendo significados e instituindo um mundo às avessas. Em Apesar de Você, sua música contra a ditadura, Chico Buarque pediu: “Você, que inventou a tristeza, ora tenha a fineza de desinventar”. Talvez já se invocasse o “desinventar” antes; depois, invocou-se mais ainda. Até foi acolhido no dicionário digital Aulete, que lhe dá o significado de “retroceder, retroagir 10 na ação de inventar”, e oferece como exemplo um trecho do poeta Manoel de Barros: “É preciso desinventar os objetos. O pente, por exemplo. É preciso dar ao pente a função de não pentear. Até que ele fique à disposição de ser uma begônia”. Numa de suas malucas aventuras no País das Maravilhas, Alice comemora seu unbirthday, como escreveu o autor do livro, o inglês Lewis Carroll. Unbirthday foi traduzida em português para 15 “desaniversário”, bela palavra para significar um belíssimo não evento. E, por falar em belo, a escritora Ana Miranda deu o título de Desmundo ao romance em que narra a sina de uma órfã portuguesa enviada à força ao Brasil da época do Descobrimento para servir de esposa a um dos desbravadores da terra. “Desmundo” é mais que fim do mundo; é o mundo ao avesso. É o que aguarda, no romance, a inocente Oribela. Há bons exemplos mais antigos. No livro 20 Roteiro de Macunaíma, de 1950, o crítico M. Cavalcanti Proença escreveu que o personagem de Mário de Andrade resumia as “desvirtudes nacionais”. O próprio Mário de Andrade engendrou, por sua vez, outro oportuno ‘des’ ao lamentar, num poema (Louvação da Tarde), a “pátria tão despatriada”. Desvirtudes nacionais e despatriamentos da pátria continuam em cartaz, 87 anos depois da publicação de Macunaíma e setenta depois da morte de Mário de Andrade, completados neste ano, mas não 25 é disso que se trata aqui – por que raios, ó insistente leitor, o colunista teria sempre de afundar no mar de nossas misérias públicas? Refugiemo-nos nas palavras. O tema de hoje são as que portam o prefixo ‘des’, começando com as inventadas, mas não se esgotando nelas. O exímio criador/recolhedor de palavras que foi Guimarães Rosa espalhou por suas obras, entre muitas outras, “desamigo”, “desendoidecer”, “desdormido”, “desexistir”, “destriste”, “desfeliz”, “desviver”, “desfalar”. No precioso livro O Léxico de Guimarães Rosa, da professora Nice Sant’Anna Martins, registram-se exatas 230 palavras com ‘des’, sinal de que o ‘des’ é uma tentação irresistível para quem gosta de brincar com as possibilidades do idioma. Até “desmim” Guimarães Rosa inventou. “Querer mil gritar, e não pude, desmim de mim mesmo, me tonteava, numas ânsias”, diz Riobaldo, no Grande Sertão: Veredas. O ‘des’ traz em si a atração anarquista de pôr o mundo de cabeça para baixo. Mesmo as palavras em 35 ‘des’ perfeitamente acomodadas à língua, e acolhidas nos dicionários há muitos anos, nos chegam com novo viço quando nos detemos a examiná-las. A uma família melancólica pertencem “desamor”, “desventura”, “desencanto” e a fatal “desespero”, ao inverter o alto significado moral de “amor”, “ventura”, “encanto” e “esperança”. “Desassossego” vai no mesmo caminho. “Desentendimento” é mais bruta; é eufemismo para briga. Ao contrário, de alto valor moral são 40 “destemor” e “desassombro” ao opor-se ao temor e ao assombro. “Desatino” é humilhante; é perder o tino. “Desoras” só pode ter sido criada por um surrealista. Usa-se no sentido de “altas horas”, mas na pura raiz etimológica significa estar fora das horas – como assim, fora das horas? “Desasnar” é o inspirado sinônimo de aprender pela via de deixar de ser asno. Uma ida ao dicionário, onde dormem as palavras em estado de inocência, revela maravilhas. O leitor 45 não deve saber, como o colunista não sabia, que existe a palavra “desnamorar”, assim como “desnamorado”. A difícil arte do dicionarista revela-se em seu melhor na definição de “namorar” do Houaiss: “terem duas pessoas relacionamento amoroso em que a aproximação física e psíquica, fundada numa atração recíproca, aspira à continuidade”. Descontinuada tal relação, fica-se com a desconsolada figura do desnamorado, que se imagina desamparado, a desoras, desnorteado e desterrado de si mesmo, desfeliz. (TOLEDO, Roberto Pompeu de. A desoras, desfeliz. Revista Veja, 3-março-2015.)
Em todos as alternativas, verifica-se o uso de linguagem metafórica, EXCETO
- A) “Uma ida ao dicionário, onde dormem as palavras em estado de inocência, revela maravilhas.” (Linha 44)
- B) “O ‘des’ traz em si a atração anarquista de pôr o mundo de cabeça para baixo.” (Linha 34)
- C) “... por que raios, ó insistente leitor, o colunista teria sempre de afundar no mar de nossas misérias públicas?” (Linhas 25-26)
- D) “É o que aguarda, no romance, a inocente Oribela. Há bons exemplos mais antigos.” (Linha 19)
Ver gabarito
Gabarito oficial: D
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 22 · COTEC-UNIMONTES · 2015 · Prefeituras MG - Polo 1 (gabarito: Município de Capitão Enéas-MG, Biomédico, Tipo 41)
A desoras, desfeliz Encenou-se, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, no feriado de 21 de abril, em forma de peça teatral, uma celebração chamada “desenforcamento de Tiradentes”. Com advogado, promotor e júri popular, refez-se o julgamento do herói da Inconfidência Mineira, tudo mais ou menos conforme o que registram os autos de dois séculos atrás, mas com resultado inverso: no final o réu é inocentado. Ou seja, desenforcado. 5 O melhor de tudo foi o título. “Desenforcamento” entra para o rol de mágicas palavras que o ‘des’ inicial permite criar, invertendo significados e instituindo um mundo às avessas. Em Apesar de Você, sua música contra a ditadura, Chico Buarque pediu: “Você, que inventou a tristeza, ora tenha a fineza de desinventar”. Talvez já se invocasse o “desinventar” antes; depois, invocou-se mais ainda. Até foi acolhido no dicionário digital Aulete, que lhe dá o significado de “retroceder, retroagir 10 na ação de inventar”, e oferece como exemplo um trecho do poeta Manoel de Barros: “É preciso desinventar os objetos. O pente, por exemplo. É preciso dar ao pente a função de não pentear. Até que ele fique à disposição de ser uma begônia”. Numa de suas malucas aventuras no País das Maravilhas, Alice comemora seu unbirthday, como escreveu o autor do livro, o inglês Lewis Carroll. Unbirthday foi traduzida em português para 15 “desaniversário”, bela palavra para significar um belíssimo não evento. E, por falar em belo, a escritora Ana Miranda deu o título de Desmundo ao romance em que narra a sina de uma órfã portuguesa enviada à força ao Brasil da época do Descobrimento para servir de esposa a um dos desbravadores da terra. “Desmundo” é mais que fim do mundo; é o mundo ao avesso. É o que aguarda, no romance, a inocente Oribela. Há bons exemplos mais antigos. No livro 20 Roteiro de Macunaíma, de 1950, o crítico M. Cavalcanti Proença escreveu que o personagem de Mário de Andrade resumia as “desvirtudes nacionais”. O próprio Mário de Andrade engendrou, por sua vez, outro oportuno ‘des’ ao lamentar, num poema (Louvação da Tarde), a “pátria tão despatriada”. Desvirtudes nacionais e despatriamentos da pátria continuam em cartaz, 87 anos depois da publicação de Macunaíma e setenta depois da morte de Mário de Andrade, completados neste ano, mas não 25 é disso que se trata aqui – por que raios, ó insistente leitor, o colunista teria sempre de afundar no mar de nossas misérias públicas? Refugiemo-nos nas palavras. O tema de hoje são as que portam o prefixo ‘des’, começando com as inventadas, mas não se esgotando nelas. O exímio criador/recolhedor de palavras que foi Guimarães Rosa espalhou por suas obras, entre muitas outras, “desamigo”, “desendoidecer”, “desdormido”, “desexistir”, “destriste”, “desfeliz”, “desviver”, “desfalar”. No precioso livro O Léxico de Guimarães Rosa, da professora Nice Sant’Anna Martins, registram-se exatas 230 palavras com ‘des’, sinal de que o ‘des’ é uma tentação irresistível para quem gosta de brincar com as possibilidades do idioma. Até “desmim” Guimarães Rosa inventou. “Querer mil gritar, e não pude, desmim de mim mesmo, me tonteava, numas ânsias”, diz Riobaldo, no Grande Sertão: Veredas. O ‘des’ traz em si a atração anarquista de pôr o mundo de cabeça para baixo. Mesmo as palavras em 35 ‘des’ perfeitamente acomodadas à língua, e acolhidas nos dicionários há muitos anos, nos chegam com novo viço quando nos detemos a examiná-las. A uma família melancólica pertencem “desamor”, “desventura”, “desencanto” e a fatal “desespero”, ao inverter o alto significado moral de “amor”, “ventura”, “encanto” e “esperança”. “Desassossego” vai no mesmo caminho. “Desentendimento” é mais bruta; é eufemismo para briga. Ao contrário, de alto valor moral são 40 “destemor” e “desassombro” ao opor-se ao temor e ao assombro. “Desatino” é humilhante; é perder o tino. “Desoras” só pode ter sido criada por um surrealista. Usa-se no sentido de “altas horas”, mas na pura raiz etimológica significa estar fora das horas – como assim, fora das horas? “Desasnar” é o inspirado sinônimo de aprender pela via de deixar de ser asno. Uma ida ao dicionário, onde dormem as palavras em estado de inocência, revela maravilhas. O leitor 45 não deve saber, como o colunista não sabia, que existe a palavra “desnamorar”, assim como “desnamorado”. A difícil arte do dicionarista revela-se em seu melhor na definição de “namorar” do Houaiss: “terem duas pessoas relacionamento amoroso em que a aproximação física e psíquica, fundada numa atração recíproca, aspira à continuidade”. Descontinuada tal relação, fica-se com a desconsolada figura do desnamorado, que se imagina desamparado, a desoras, desnorteado e desterrado de si mesmo, desfeliz. (TOLEDO, Roberto Pompeu de. A desoras, desfeliz. Revista Veja, 3-março-2015.)
Considere o trecho: “... na definição de “namorar” do Houaiss: “terem duas pessoas relacionamento amoroso em que a aproximação física e psíquica, fundada numa atração recíproca, aspira à continuidade”. (Linhas 46-48) Sobre o uso do sinal grave indicativo de crase, é INCORRETO afirmar:
- A) Está relacionado à transitividade do verbo aspirar.
- B) É facultativo, tendo em vista o termo regente e o termo regido.
- C) Indica a fusão da preposição ‘a’ e o artigo feminino ‘a’.
- D) Está relacionado à preposição ‘a’ exigida pelo termo regente.
Ver gabarito
Gabarito oficial: B
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 23 · COTEC-UNIMONTES · 2015 · Prefeituras MG - Polo 1 (gabarito: Município de Capitão Enéas-MG, Biomédico, Tipo 41)
A desoras, desfeliz Encenou-se, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, no feriado de 21 de abril, em forma de peça teatral, uma celebração chamada “desenforcamento de Tiradentes”. Com advogado, promotor e júri popular, refez-se o julgamento do herói da Inconfidência Mineira, tudo mais ou menos conforme o que registram os autos de dois séculos atrás, mas com resultado inverso: no final o réu é inocentado. Ou seja, desenforcado. 5 O melhor de tudo foi o título. “Desenforcamento” entra para o rol de mágicas palavras que o ‘des’ inicial permite criar, invertendo significados e instituindo um mundo às avessas. Em Apesar de Você, sua música contra a ditadura, Chico Buarque pediu: “Você, que inventou a tristeza, ora tenha a fineza de desinventar”. Talvez já se invocasse o “desinventar” antes; depois, invocou-se mais ainda. Até foi acolhido no dicionário digital Aulete, que lhe dá o significado de “retroceder, retroagir 10 na ação de inventar”, e oferece como exemplo um trecho do poeta Manoel de Barros: “É preciso desinventar os objetos. O pente, por exemplo. É preciso dar ao pente a função de não pentear. Até que ele fique à disposição de ser uma begônia”. Numa de suas malucas aventuras no País das Maravilhas, Alice comemora seu unbirthday, como escreveu o autor do livro, o inglês Lewis Carroll. Unbirthday foi traduzida em português para 15 “desaniversário”, bela palavra para significar um belíssimo não evento. E, por falar em belo, a escritora Ana Miranda deu o título de Desmundo ao romance em que narra a sina de uma órfã portuguesa enviada à força ao Brasil da época do Descobrimento para servir de esposa a um dos desbravadores da terra. “Desmundo” é mais que fim do mundo; é o mundo ao avesso. É o que aguarda, no romance, a inocente Oribela. Há bons exemplos mais antigos. No livro 20 Roteiro de Macunaíma, de 1950, o crítico M. Cavalcanti Proença escreveu que o personagem de Mário de Andrade resumia as “desvirtudes nacionais”. O próprio Mário de Andrade engendrou, por sua vez, outro oportuno ‘des’ ao lamentar, num poema (Louvação da Tarde), a “pátria tão despatriada”. Desvirtudes nacionais e despatriamentos da pátria continuam em cartaz, 87 anos depois da publicação de Macunaíma e setenta depois da morte de Mário de Andrade, completados neste ano, mas não 25 é disso que se trata aqui – por que raios, ó insistente leitor, o colunista teria sempre de afundar no mar de nossas misérias públicas? Refugiemo-nos nas palavras. O tema de hoje são as que portam o prefixo ‘des’, começando com as inventadas, mas não se esgotando nelas. O exímio criador/recolhedor de palavras que foi Guimarães Rosa espalhou por suas obras, entre muitas outras, “desamigo”, “desendoidecer”, “desdormido”, “desexistir”, “destriste”, “desfeliz”, “desviver”, “desfalar”. No precioso livro O Léxico de Guimarães Rosa, da professora Nice Sant’Anna Martins, registram-se exatas 230 palavras com ‘des’, sinal de que o ‘des’ é uma tentação irresistível para quem gosta de brincar com as possibilidades do idioma. Até “desmim” Guimarães Rosa inventou. “Querer mil gritar, e não pude, desmim de mim mesmo, me tonteava, numas ânsias”, diz Riobaldo, no Grande Sertão: Veredas. O ‘des’ traz em si a atração anarquista de pôr o mundo de cabeça para baixo. Mesmo as palavras em 35 ‘des’ perfeitamente acomodadas à língua, e acolhidas nos dicionários há muitos anos, nos chegam com novo viço quando nos detemos a examiná-las. A uma família melancólica pertencem “desamor”, “desventura”, “desencanto” e a fatal “desespero”, ao inverter o alto significado moral de “amor”, “ventura”, “encanto” e “esperança”. “Desassossego” vai no mesmo caminho. “Desentendimento” é mais bruta; é eufemismo para briga. Ao contrário, de alto valor moral são 40 “destemor” e “desassombro” ao opor-se ao temor e ao assombro. “Desatino” é humilhante; é perder o tino. “Desoras” só pode ter sido criada por um surrealista. Usa-se no sentido de “altas horas”, mas na pura raiz etimológica significa estar fora das horas – como assim, fora das horas? “Desasnar” é o inspirado sinônimo de aprender pela via de deixar de ser asno. Uma ida ao dicionário, onde dormem as palavras em estado de inocência, revela maravilhas. O leitor 45 não deve saber, como o colunista não sabia, que existe a palavra “desnamorar”, assim como “desnamorado”. A difícil arte do dicionarista revela-se em seu melhor na definição de “namorar” do Houaiss: “terem duas pessoas relacionamento amoroso em que a aproximação física e psíquica, fundada numa atração recíproca, aspira à continuidade”. Descontinuada tal relação, fica-se com a desconsolada figura do desnamorado, que se imagina desamparado, a desoras, desnorteado e desterrado de si mesmo, desfeliz. (TOLEDO, Roberto Pompeu de. A desoras, desfeliz. Revista Veja, 3-março-2015.)
Assinale a alternativa em que o uso da próclise NÃO é obrigatório, uma vez que não se verifica a ocorrência de palavra atrativa.
- A) “... e setenta depois da morte de Mário de Andrade, completados neste ano, mas não é disso que se trata aqui...” (Linhas 24-25)
- B) “... chegam com novo viço quando nos detemos a examiná-las.” (Linhas 35-36)
- C) “... palavras em ‘des’ perfeitamente acomodadas à língua, e acolhidas nos dicionários há muitos anos, nos chegam com novo viço...” (Linhas 34-36)
- D) “Talvez já se invocasse o “desinventar” antes...” (Linha 8)
Ver gabarito
Gabarito oficial: C
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 24 · COTEC-UNIMONTES · 2015 · Prefeituras MG - Polo 1 (gabarito: Município de Capitão Enéas-MG, Biomédico, Tipo 41)
A desoras, desfeliz Encenou-se, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, no feriado de 21 de abril, em forma de peça teatral, uma celebração chamada “desenforcamento de Tiradentes”. Com advogado, promotor e júri popular, refez-se o julgamento do herói da Inconfidência Mineira, tudo mais ou menos conforme o que registram os autos de dois séculos atrás, mas com resultado inverso: no final o réu é inocentado. Ou seja, desenforcado. 5 O melhor de tudo foi o título. “Desenforcamento” entra para o rol de mágicas palavras que o ‘des’ inicial permite criar, invertendo significados e instituindo um mundo às avessas. Em Apesar de Você, sua música contra a ditadura, Chico Buarque pediu: “Você, que inventou a tristeza, ora tenha a fineza de desinventar”. Talvez já se invocasse o “desinventar” antes; depois, invocou-se mais ainda. Até foi acolhido no dicionário digital Aulete, que lhe dá o significado de “retroceder, retroagir 10 na ação de inventar”, e oferece como exemplo um trecho do poeta Manoel de Barros: “É preciso desinventar os objetos. O pente, por exemplo. É preciso dar ao pente a função de não pentear. Até que ele fique à disposição de ser uma begônia”. Numa de suas malucas aventuras no País das Maravilhas, Alice comemora seu unbirthday, como escreveu o autor do livro, o inglês Lewis Carroll. Unbirthday foi traduzida em português para 15 “desaniversário”, bela palavra para significar um belíssimo não evento. E, por falar em belo, a escritora Ana Miranda deu o título de Desmundo ao romance em que narra a sina de uma órfã portuguesa enviada à força ao Brasil da época do Descobrimento para servir de esposa a um dos desbravadores da terra. “Desmundo” é mais que fim do mundo; é o mundo ao avesso. É o que aguarda, no romance, a inocente Oribela. Há bons exemplos mais antigos. No livro 20 Roteiro de Macunaíma, de 1950, o crítico M. Cavalcanti Proença escreveu que o personagem de Mário de Andrade resumia as “desvirtudes nacionais”. O próprio Mário de Andrade engendrou, por sua vez, outro oportuno ‘des’ ao lamentar, num poema (Louvação da Tarde), a “pátria tão despatriada”. Desvirtudes nacionais e despatriamentos da pátria continuam em cartaz, 87 anos depois da publicação de Macunaíma e setenta depois da morte de Mário de Andrade, completados neste ano, mas não 25 é disso que se trata aqui – por que raios, ó insistente leitor, o colunista teria sempre de afundar no mar de nossas misérias públicas? Refugiemo-nos nas palavras. O tema de hoje são as que portam o prefixo ‘des’, começando com as inventadas, mas não se esgotando nelas. O exímio criador/recolhedor de palavras que foi Guimarães Rosa espalhou por suas obras, entre muitas outras, “desamigo”, “desendoidecer”, “desdormido”, “desexistir”, “destriste”, “desfeliz”, “desviver”, “desfalar”. No precioso livro O Léxico de Guimarães Rosa, da professora Nice Sant’Anna Martins, registram-se exatas 230 palavras com ‘des’, sinal de que o ‘des’ é uma tentação irresistível para quem gosta de brincar com as possibilidades do idioma. Até “desmim” Guimarães Rosa inventou. “Querer mil gritar, e não pude, desmim de mim mesmo, me tonteava, numas ânsias”, diz Riobaldo, no Grande Sertão: Veredas. O ‘des’ traz em si a atração anarquista de pôr o mundo de cabeça para baixo. Mesmo as palavras em 35 ‘des’ perfeitamente acomodadas à língua, e acolhidas nos dicionários há muitos anos, nos chegam com novo viço quando nos detemos a examiná-las. A uma família melancólica pertencem “desamor”, “desventura”, “desencanto” e a fatal “desespero”, ao inverter o alto significado moral de “amor”, “ventura”, “encanto” e “esperança”. “Desassossego” vai no mesmo caminho. “Desentendimento” é mais bruta; é eufemismo para briga. Ao contrário, de alto valor moral são 40 “destemor” e “desassombro” ao opor-se ao temor e ao assombro. “Desatino” é humilhante; é perder o tino. “Desoras” só pode ter sido criada por um surrealista. Usa-se no sentido de “altas horas”, mas na pura raiz etimológica significa estar fora das horas – como assim, fora das horas? “Desasnar” é o inspirado sinônimo de aprender pela via de deixar de ser asno. Uma ida ao dicionário, onde dormem as palavras em estado de inocência, revela maravilhas. O leitor 45 não deve saber, como o colunista não sabia, que existe a palavra “desnamorar”, assim como “desnamorado”. A difícil arte do dicionarista revela-se em seu melhor na definição de “namorar” do Houaiss: “terem duas pessoas relacionamento amoroso em que a aproximação física e psíquica, fundada numa atração recíproca, aspira à continuidade”. Descontinuada tal relação, fica-se com a desconsolada figura do desnamorado, que se imagina desamparado, a desoras, desnorteado e desterrado de si mesmo, desfeliz. (TOLEDO, Roberto Pompeu de. A desoras, desfeliz. Revista Veja, 3-março-2015.)
Considere o verbo negritado na frase: “Há bons exemplos mais antigos.” (Linha 19) Em relação ao emprego desse verbo nessa frase, NÃO se pode afirmar:
- A) Trata-se de um verbo impessoal, portanto deverá ficar na 3.ª pessoa do singular.
- B) Por ser impessoal, constrói uma oração sem sujeito.
- C) Foi usado com valor semântico de ‘existir’ e, nessa acepção, classifica-se como impessoal.
- D) Trata-se de um verbo pessoal e, portanto, concorda com o sujeito a que se refere.
Ver gabarito
Gabarito oficial: D
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 25 · COTEC-UNIMONTES · 2015 · Prefeituras MG - Polo 1 (gabarito: Município de Capitão Enéas-MG, Biomédico, Tipo 41)
A desoras, desfeliz Encenou-se, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, no feriado de 21 de abril, em forma de peça teatral, uma celebração chamada “desenforcamento de Tiradentes”. Com advogado, promotor e júri popular, refez-se o julgamento do herói da Inconfidência Mineira, tudo mais ou menos conforme o que registram os autos de dois séculos atrás, mas com resultado inverso: no final o réu é inocentado. Ou seja, desenforcado. 5 O melhor de tudo foi o título. “Desenforcamento” entra para o rol de mágicas palavras que o ‘des’ inicial permite criar, invertendo significados e instituindo um mundo às avessas. Em Apesar de Você, sua música contra a ditadura, Chico Buarque pediu: “Você, que inventou a tristeza, ora tenha a fineza de desinventar”. Talvez já se invocasse o “desinventar” antes; depois, invocou-se mais ainda. Até foi acolhido no dicionário digital Aulete, que lhe dá o significado de “retroceder, retroagir 10 na ação de inventar”, e oferece como exemplo um trecho do poeta Manoel de Barros: “É preciso desinventar os objetos. O pente, por exemplo. É preciso dar ao pente a função de não pentear. Até que ele fique à disposição de ser uma begônia”. Numa de suas malucas aventuras no País das Maravilhas, Alice comemora seu unbirthday, como escreveu o autor do livro, o inglês Lewis Carroll. Unbirthday foi traduzida em português para 15 “desaniversário”, bela palavra para significar um belíssimo não evento. E, por falar em belo, a escritora Ana Miranda deu o título de Desmundo ao romance em que narra a sina de uma órfã portuguesa enviada à força ao Brasil da época do Descobrimento para servir de esposa a um dos desbravadores da terra. “Desmundo” é mais que fim do mundo; é o mundo ao avesso. É o que aguarda, no romance, a inocente Oribela. Há bons exemplos mais antigos. No livro 20 Roteiro de Macunaíma, de 1950, o crítico M. Cavalcanti Proença escreveu que o personagem de Mário de Andrade resumia as “desvirtudes nacionais”. O próprio Mário de Andrade engendrou, por sua vez, outro oportuno ‘des’ ao lamentar, num poema (Louvação da Tarde), a “pátria tão despatriada”. Desvirtudes nacionais e despatriamentos da pátria continuam em cartaz, 87 anos depois da publicação de Macunaíma e setenta depois da morte de Mário de Andrade, completados neste ano, mas não 25 é disso que se trata aqui – por que raios, ó insistente leitor, o colunista teria sempre de afundar no mar de nossas misérias públicas? Refugiemo-nos nas palavras. O tema de hoje são as que portam o prefixo ‘des’, começando com as inventadas, mas não se esgotando nelas. O exímio criador/recolhedor de palavras que foi Guimarães Rosa espalhou por suas obras, entre muitas outras, “desamigo”, “desendoidecer”, “desdormido”, “desexistir”, “destriste”, “desfeliz”, “desviver”, “desfalar”. No precioso livro O Léxico de Guimarães Rosa, da professora Nice Sant’Anna Martins, registram-se exatas 230 palavras com ‘des’, sinal de que o ‘des’ é uma tentação irresistível para quem gosta de brincar com as possibilidades do idioma. Até “desmim” Guimarães Rosa inventou. “Querer mil gritar, e não pude, desmim de mim mesmo, me tonteava, numas ânsias”, diz Riobaldo, no Grande Sertão: Veredas. O ‘des’ traz em si a atração anarquista de pôr o mundo de cabeça para baixo. Mesmo as palavras em 35 ‘des’ perfeitamente acomodadas à língua, e acolhidas nos dicionários há muitos anos, nos chegam com novo viço quando nos detemos a examiná-las. A uma família melancólica pertencem “desamor”, “desventura”, “desencanto” e a fatal “desespero”, ao inverter o alto significado moral de “amor”, “ventura”, “encanto” e “esperança”. “Desassossego” vai no mesmo caminho. “Desentendimento” é mais bruta; é eufemismo para briga. Ao contrário, de alto valor moral são 40 “destemor” e “desassombro” ao opor-se ao temor e ao assombro. “Desatino” é humilhante; é perder o tino. “Desoras” só pode ter sido criada por um surrealista. Usa-se no sentido de “altas horas”, mas na pura raiz etimológica significa estar fora das horas – como assim, fora das horas? “Desasnar” é o inspirado sinônimo de aprender pela via de deixar de ser asno. Uma ida ao dicionário, onde dormem as palavras em estado de inocência, revela maravilhas. O leitor 45 não deve saber, como o colunista não sabia, que existe a palavra “desnamorar”, assim como “desnamorado”. A difícil arte do dicionarista revela-se em seu melhor na definição de “namorar” do Houaiss: “terem duas pessoas relacionamento amoroso em que a aproximação física e psíquica, fundada numa atração recíproca, aspira à continuidade”. Descontinuada tal relação, fica-se com a desconsolada figura do desnamorado, que se imagina desamparado, a desoras, desnorteado e desterrado de si mesmo, desfeliz. (TOLEDO, Roberto Pompeu de. A desoras, desfeliz. Revista Veja, 3-março-2015.)
Marque a alternativa que justifica corretamente o emprego das aspas em “Você, que inventou a tristeza, ora tenha a fineza de desinventar”.” (Linhas 7-8)
- A) Construir uma ironia.
- B) Indicar ressignificação de palavra.
- C) Assinalar uso de citação direta.
- D) Indicar uso de estrangeirismos.
Ver gabarito
Gabarito oficial: C
Resolver esta e outras questões no app →
Treinar com as provas da COTEC-UNIMONTES no app